Escola Pactual: Por que tantos Ex-Sócios Viraram Gestores?
- Grupo de Negócios da Escola Politécnica da USP
- 28 de out. de 2025
- 4 min de leitura
De dentro para fora: o legado do BTG Pactual. A escola de partnership forma líderes que fundam gestoras relevantes, contando com práticas sólidas de governança e excelência na execução.
Rhuan Caldeira (Júnior no GN Poli)

O mercado brasileiro tem um traço nítido: diversas gestoras independentes de destaque foram fundadas por ex-sócios do BTG Pactual. Isso não é acaso; é resultado de um desenho organizacional. O partnership do banco (modelo societário em que executivos se tornam sócios, com participação acionária e remuneração variável ligada ao desempenho) incentiva a cultura de dono e forma profissionais preparados para decidir, arriscar e prestar contas. André Esteves é a expressão máxima dessa lógica: começou muito jovem, tornou-se sócio cedo, atravessou ciclos difíceis e reconfigurou a instituição, mantendo a cultura de dono no centro. A mensagem que sua trajetória transmite para quem observa de fora é direta: o Pactual não é apenas um banco de investimentos, é uma escola de empreendedores.
A história do Pactual se divide em duas fases. Na primeira, fundado por Luiz Cezar Fernandes, André Jakurski e Paulo Guedes, o banco se consolida e, em 2006, é vendido ao UBS, tornando-se UBS Pactual. Na segunda, André Esteves cria o BTG em 2008 e recompra o Pactual em 2009, formando o BTG Pactual. Nesse plano de fundo, essa newsletter apresenta a trajetória de ex-sócios do Pactual e do BTG Pactual que fundaram gestoras relevantes em diferentes áreas e analisa por que o BTG se destaca na formação de fundadores, entendendo como o partnership e a disciplina de risco reverberam nessas casas em cultura de dono, governança e redes de relacionamento.
O primeiro perfil abordado é o de Gilberto Sayão, um dos principais sócios do antigo Banco Pactual. Na instituição, liderou as áreas de investimentos, finanças corporativas e hedge funds, integrou o Comitê Executivo do Pactual e do UBS Pactual entre 1998 e 2009 e, de 2006 a 2009, ocupou o cargo de principal diretor da gestora de investimentos alternativos do UBS Pactual. Engenheiro eletricista formado pela PUC-Rio, esteve entre os responsáveis pela transação que resultou na venda do Pactual ao UBS, em 2006. Em 2009, em parceria com Alessandro Horta, fundou a Vinci Partners, originada a partir do núcleo de investimentos alternativos e atualmente listada na Nasdaq sob o código VINP. A Vinci consolidou-se como uma plataforma de multiativos, com atuação em Private Equity, infraestrutura, crédito, real estate, equities e advisory, e reporta aproximadamente R$ 304 bilhões em ativos sob gestão e/ou assessoria.
O segundo perfil é o de André Jakurski, cofundador do Banco Pactual em 1983, a convite de Luiz Cezar Fernandes, ao lado de Paulo Guedes. No Pactual, liderou a gestão de fundos, as carteiras de renda variável e o portfólio proprietário, além de atuar como mentor de André Esteves. Em 1997 e 1998, diante de divergências sobre o rumo estratégico do banco, decidiu sair e fundar a JGP em 1998. Desde então, a casa se consolidou em multimercados, ações e crédito e, mais recentemente, reportou R$ 37,2 bilhões sob gestão.
O terceiro perfil é o de Carlos Fonseca, que participou da criação do BTG Pactual e destacou-se como sócio responsável pela área de Private Equity do banco. Nesse período, liderou investimentos de referência em empresas como Rede D’Or, Stone e BR Properties, além de ter comandado uma plataforma com mais de R$ 40 bilhões investidos em dezenas de companhias. Em 2019, cofundou a Galápagos Capital, estruturada com uma mentalidade de ecossistema, ao integrar Asset Management, Wealth Management e Investment Banking sob uma única marca, conectando originação, gestão e distribuição. Atualmente, a Galápagos administra mais de R$ 32 bilhões em ativos sob gestão e tem ampliado sua atuação por meio da combinação entre expansão orgânica e aquisições pontuais.
O quarto perfil é o de Marcelo Kalim, que ingressou no Banco Pactual em 1996, tornou-se sócio em 1998 e, até 2008, atuou como diretor responsável por investimentos. Naquele ano, deixou o Pactual para cofundar o BTG, onde assumiu o cargo de CFO e, posteriormente, foi nomeado co-CEO do Banco BTG Pactual. Em 2018, em parceria com Carlos Fonseca e outros exexecutivos do BTG, cofundou o C6 Bank, que obteve autorização do Banco Central e iniciou suas operações em 2019. Em 2021, o JPMorgan anunciou a aquisição de 40% do capital do C6, participação que foi ampliada para 46% em 2023. Em 2024, o C6 registrou lucro líquido de R$ 2,27 bilhões e receita líquida gerencial de R$ 8,048 bilhões, consolidando-se entre os principais bancos digitais do país.
A análise do perfil dos ex-sócios evidencia que a cultura de partnership do BTG Pactual, marcada por um forte viés empreendedor, disciplina rigorosa de risco e ética de trabalho intenso, reverbera nos empreendimentos bem-sucedidos por eles desenvolvidos. Esse padrão reforça a imagem do banco como uma máquina de talentos e formadora de lideranças. Apesar das saídas no decorrer dos anos, o BTG mantém-se sólido e em contínuo crescimento, conforme ilustrado no gráfico abaixo. A expansão ocorre de forma orgânica e também por meio de aquisições estratégicas. Um exemplo recente é a aquisição da operação do HSBC no Uruguai, que representou a entrada no país e a ampliação da presença regional.
Em última instância, o BTG transforma sua cultura em vantagem competitiva sustentável. As movimentações de saída não fragilizam a instituição. Na verdade, atraem novos talentos e difundem seu código cultural em outras gestoras relevantes, ampliando seu raio de influência no mercado.
Evolução da Receita e Lucro Líquido (Fonte: BTG RI):





